Com o mercado financeiro em crise nos Estados Unidos, muitas pessoas e empresas estão tendo problemas com o pagamento de suas contas. De acordo com o sistema de crédito americano, todo pagamento que é feito com mais de 30 dias de atraso é reportado para os principais bureaus de crédito do país: Equifax, Expedian e TransUnian. Estas três empresas têm o histórico de crédito da pessoa e fornecem esses dados todas as vezes que uma compra a crédito é realizada. O crédito é medido em pontos, que vão de 400, o pior, até 850, o melhor. Cada empresa de crédito dá uma pontuação específica ao cliente e o somatório do score das três agências dividido por três resulta no beacon score da pessoa. Quando um pagamento é feito com mais de 30 dias de atraso, esse atraso é reportado para estas três agências e este histórico permanece no registro por sete anos. Quando existem muitos atrasos de uma ou mais contas, o crédito do cliente é considerado ruim, o que o impossibilita de conseguir empréstimos para a compra de casa, do carro e até mesmo de móveis ou eletrodomésticos. Em caso de empresas que atrasam as contas de cartão de crédito, linhas de crédito e credores de grande porte, o financiamento para aumentar o cash flow (capital de giro) é impossível.
Por causa da crise econômica, da recessão interna do país, do aumento do desemprego, muitas pessoas e empresas estão tendo dificuldade em cumprir seus compromissos financeiros. Um informe econômico divulgado recentemente mostrou que o número de pessoas pagando suas contas de cartão de crédito em atraso ou até mesmo que estão deixando de pagar as contas por falta de dinheiro subiu de 7% para 24% ao ano e este número tende a crescer em 2009. Por isso, muitas empresas de cartão de crédito como American Express, Chase, City e Bank of America, estão diminuindo ou eliminando as linhas de crédito de seus clientes no intuito de prevenir delinqüências, o que complica a situação, uma vez que, na maioria dos casos, os clientes que possuem débito alto estão descapitalizados. O crédito é uma bola de neve que cresce sem que clientes e empresas vejam e pode ser o próximo crash nos Estados Unidos.
Com o mercado instável e as linhas de crédito escassas tem muita gente sem saber o que fazer para cumprir seus compromissos financeiros mensais. Por isso, o consumidor deve estar informado de todas as possibilidades que têm a seu dispor para ter condições de pagar suas contas e, no último caso, optar pela renegociação da dívida ou até mesmo uma falência pessoal ou jurídica. É importante saber que nos Estados Unidos existem empresas que trabalham no auxílio de pagamento das contas e renegociação da dívida de indivíduos e empresas junto aos credores e de ajuda da reconstrução do crédito. No entanto, as pessoas não sabem a quem recorrer quando estão endividadas e muito menos qual a melhor opção para o seu caso específico. Elas não sabem qual o real significado de termos como debt consolidation, debt negoation, credit reconstruction e bankrupcy.
O que é Debt Consolidation?
Richard Sanchez, da Moriah International, de Doral, explica que Debt Consolidation (consolidação de débito), como o próprio diz, é uma consolidação de dívidas. Quando o consumidor portador de cartão de crédito possui contas que já estão atrasadas por um tempo, ele contrata os serviços de uma empresa qualificada, e a empresa “consolida” todas as dívidas num único pagamento mensal, o que permite ao consumidor pagar juros menores, com um pagamento mensal.
Como a empresa é reconhecida, ela têm condição de negociar junto aos credores juros bem menores dentro de um determinado programa, dando assim condição ao devedor de “respirar” um pouco mais. Essa redução no montante do saldo é significativa no pagamento mensal. “Mas não esqueça que hoje o IRS considera essa “redução” na consolidação como receita, e têm que ser declarada no Imposto de Renda pessoal. E mais, não se engane, porque quando expirar o prazo acordado, e o devedor não tiver “zerado” a conta, os juros irão voltar de maneira astronômica”, afirmou Sanchez.
O que é Debt Negociation?
Em um conceito um pouco mais antigo, o Debt Negociation (negociação do débito) é quando o devedor negocia conta-a-conta com o credor. Ou seja, ele, devedor, trata direto com o credor sem a intermediação de terceiros. Sanchez disse que o que acontece hoje com a confusão do mercado financeiro, é que esse conceito de consolidação e negociação se misturou e ficou bem indefinido. “Podemos dizer, que na prática, o mercado usa a mesma terminologia para ambos os casos. De uma forma bastante simples, o debt consolidation é quando você contrata terceiros para fazer a negociação e consolidar as dívidas em um pagamento só. O debt negotiation é quando o devedor trata direto com o credor conta-a-conta”.
O que é Credit Reconstruction?
Richard Sanchez explica que o Credit Reconstruction (reconstrução do crédito) é uma estratégia muito pouca usada e que está dando sinais de revitalização. Consiste em você contratar um novo credor, chamaremos de credor 2, dentro de um cenário já comprometido porque você já está atrasado nas contas, tomar emprestado a juros alto para pagar o credor 1.
Questões que gostaríamos de saber, mas temos medo de perguntar
Mesmo sabendo o significado dos termos, as pessoas ficam em dúvida de qual a melhor situação para o seu caso particular. Em casos assim, o melhor é consultar um advogado especializado na área de Bankrupcy ou empresas que trabalham com renegociação de débitos. No entanto, algumas perguntas podem ser respondidas de forma genérica, facilitando o entendimento dos prós e contras de cada uma das opções apresentadas ao cliente, seja ela renegociação da dívida ou a declaração de falência. Veja abaixo algumas perguntas feitas a Richard Sanchez.
1- É melhor fazer o debt consolidation em vez de aplicar para a bankrupcty?
Essa é uma resposta dificílima. Tudo irá variar do montante devido, do patrimônio que o devedor já possui e da maneira que ele ganha a vida. A América é um lugar de estratégia. É bom conferir com o advogado de BK as alternativas e estratégias do momento.
P.S. Na próxima edição a Linha Aberta publicará uma matéria sobre bankrupcty. Um dos entrevistados será o advogado Nelson Carmenates, do escritório Carmenates Panell.
2- Quem aplica para o debt consolidation tem que pagar as contas aos seus credores? Em quanto tempo?
Irá pagar o que for acordado e no tempo que for acordado. Não mais e não menos. Tudo irá depender do montante e do acordado. Não existe uma regra pré-estabelecida. Mas de um modo geral esse “hardship program” gira de 6 meses a 1 ano, podendo estender para mais dependendo do saldo.
3- Será reportado aos credit bureau que a pessoa está fazendo a consolidação dos débitos? Isso é ruim para o crédito?
Sim. É informado e a indústria não vê isso com bons olhos. A indústria entende que o devedor é tão ruim administrando as finanças que ele “nem sabe pegar o telefone” e negociar com o credor. Afeta muito o crédito e dentro da secreta formulação do credit score têm um peso que ninguém sabe dizer com precisão.
4- Depois de quanto tempo a pessoa pode começar a criar um bom crédito?
A restauração do crédito pode ser muita rápida. A formulação do crédito é baseado no total de linha de crédito versus quanto se deve. O famoso ratio. O devedor fez o debt consolidation, de repente ele “zera” as contas, então é uma questão de meses. Mas enquanto estiver aparecendo no credit report a conta aberta, é muito negativo.
5- Qual a diferença entre Debt Consolitation e Debt Negociation? Qual a melhor opção para a pessoa?
Praticamente é a mesma coisa. Entendemos que o Debt Consolidation é quando você contrata terceiros para fazer a negociação e consolidar as dívidas em um pagamento só. No Debt Negotiation é quando o devedor faz direto com o credor conta-a-conta. Acontece que hoje, com essa confusão do mercado financeiro, esse conceito de consolidação e negociação, ficou bem indefinido.
6- Imigrantes em geral podem aplicar para o debt consolidation?
No passado, toda e qualquer referência a crédito, e no caso “debt consolidation” era em cima do Social Security Number e Tax Id Number. Com as últimas mudanças, temos ouvido de empresas que aceitam e outras não. Uma coisa é certa, muito cuidado aos interessados em “debt consolidation”. Existem empresas que estão prejudicando mais do que ajudando o devedor.
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