Pesquisas revelam que jovens e crianças são os mais afetados pela propaganda
Os jovens estão entre os mais consumistas do mundo, seguidos de perto pelas crianças. Uma pesquisa realizada no Brasil pelo Instituto Akatu, com base em estudo da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) com jovens de 24 países dos cinco continentes, coloca os jovens brasileiros no topo dos mais consumistas. Dos 259 entrevistados, de nove regiões metropolitanas no país, 37% apontaram as compras como um assunto de muito interesse no dia-a-dia. Para 78% deles, a qualidade é o principal critério de compra, seguido pelo preço.
Outra pesquisa, realizada pela Universidade La Sapienza, em Roma, crianças de apenas 3 anos sabem distinguir as marcas de produtos no mercado, e com 8 anos se tornam “consumidores”. Os anúncios na TV têm um importante papel na vida delas, transformando-as em pequenos “ditadores” que exigem que os seus pais comprem determinados produtos. Por isso, em tempos de crise, e principalmente na época das festas de fim de ano, é fundamental que os pais estejam preparados para dizer não e ensinar os filhos, sejam eles crianças ou adultos, sobre a importância de um orçamento familiar e de que o porcentagem destinada às compras de Natal deve ser obedecida.
E haja criatividade para que os pais saiam vencedores nesta luta desigual onde as campanhas publicitárias incentivam o consumismo. Elas apostam no comportamento de compra desenfreada, da compra por impulso, do consumo sem reflexão. É claro que nem todo jovem compra, gasta, viaja e se diverte porque simplesmente não pensa nas conseqüências. Mas é fato que, quanto mais jovem e inexperiente, mais facilmente se é influenciado a ter este tipo de comportamento. Para especialistas, esta é uma realidade do mundo atual, diferente do passado, quando os jovens eram mais engajados e a sociedade também vivia um panorama distinto.
O Natal está próximo, data em que cresce o consumo de produtos infantis e, conseqüentemente, a necessidade de um dinheiro extra. Mas o que fazer quando não se tem uma reserva de capital para este dia especial? Nesse caso, sempre é fundamental manter a calma, evitando loucuras, e ter em mente que mesmo sem um planejamento prévio ainda é possível comprar presentes para os filhos e utilizar essa situação para iniciar seu filho no caminho da educação financeira.
Assim, se a condição financeira da família estiver muito apertada, o ideal é ter uma conversa franca com as crianças, buscando mostrar a importância dela para a família e encontrando algo que ela deseja dentro da realidade financeira do momento. A conversa chamará a atenção da criança para que perceba que aquilo que ela viu em uma propaganda não é o que ela necessita no momento.
Uma boa dica para economizar é trocar o presente pela realização de um passeio. Esse momento que a família passa junto pode valer muito mais que um presente físico. A viagem ou passeio fica na memória, além de ajudar a melhorar a cultura e o conhecimento da criança. Se a situação financeira não está tão complicada é interessante comprar um bom presente. Contudo, antes da aquisição do produto são necessárias duas atitudes: a realização de pesquisas de preços e uma análise das melhores formas de pagamento. Além disso, é fundamental analisar se o presente não trará custos extras para a família ou mesmo para a criança.
A maioria das pessoas ainda não se atentou para a importância de saber negociar em nosso cotidiano e o Natal é uma ótima oportunidade de mostrar para as crianças como fazer isso, levando seu filho para a compra, sempre com o presente pré-definido na cabeça dele. Cada vez mais cedo, as crianças estão expostas ao mundo das finanças pessoais. Seja na escolinha, em casa ou mesmo na rua com os amigos, o dinheiro já é parte fundamental de suas vidas. Mas como educá-los financeiramente da forma correta?
Segundo dicas do livro “O Menino do Dinheiro”, de Reinaldo Domingo, publicado pela Editora Gente, existem dicas para ensinar os filhos acomeçar a economizar:
No livro, Reinaldo apresenta dicas que devem ser utilizados durante todo o ano. Ele fala que, a partir dos dois anos, quando as crianças começam a demonstrar desejos próprios, já é o momento de iniciar a educação financeira, mostrando o processo de troca do dinheiro por produtos. Reserve as datas especiais para dar brinquedos às crianças, mostrando assim que ela não pode ter tudo na hora que quiser;
Apesar de estar em desuso, os cofrinhos ainda são ótimas formas de mostrar a importância da economia para as crianças.
Conheça alguns dos desejos da criança e demonstre quanto ela terá que guardar para realizá-los. Quando ela chegar a esse valor, acompanhe-a na compra, que será uma conquista. Desenvolva jogos e brincadeiras que estimulem as crianças a pensar em como utilizar dinheiro e em como é importante poupar. Demonstre desde cedo a relação entre o dinheiro e trabalho, o que pode ser feito levando-a ao seu local de trabalho.
Faça com que as crianças participem das reuniões financeiras da família e das decisões sobre viagens, compra de material escolar e compras maiores. Isso também pode ser feito nas listas de supermercados;
Explique para seu filho que nem tudo que é demonstrado nas publicidades tem um real valor para o cotidiano e que a aquisição desses produtos pode proporcionar frustrações. Analisar e, quando perceber que a criança já possui um certo entendimento sobre o valor do dinheiro, dar uma mesada, com a qual ela deverá adquirir produtos que deseja.
Abra uma poupança para a criança, onde direcionará parte da mesada para que no futuro a criança tenha uma reserva. Faça um acompanhamento conjunto de quanto de dinheiro ela já possui. Um último cuidado que os pais devem sempre tomar é direcionar a compra de presentes para datas especiais, como o Dia das Crianças, aniversário e Natal, evitando com isso que as crianças se tornem excessivamente consumistas, possibilitando uma reserva financeira maior para comprar presentes e reforçando a magia que cerca esses momentos.
Especial - Compras de Natal
Quando os nossos filhos querem o que não podemos comprar
Armando Correa de Siqueira Neto
O mercado passou por importantes transformações, especialmente na última década. As empresas atentas reconhecem a necessidade de se trabalhar a comunicação de produtos e serviços de forma abrangente, a fim de atingir direta e indiretamente o seu público-alvo. Embora o recurso financeiro para a compra, via de regra se origine do bolso dos adultos, a influência acerca da demanda de parte do consumo parte dos clientes infantis. Eles estão bem diferentes do que há alguns anos e demonstram foco no que desejam, além da vontade de consumir.
Algumas pesquisas realizadas em supermercados divulgam observações interessantes. Dentre elas, destaca-se o papel de gente grande empreendido por crianças na hora de optar por um biscoito ou outro, por exemplo. Elas representam a metade dos acompanhantes, e em 65% dos casos o acompanhante influencia na decisão de compra.
Alguns pais dialogam com os filhos sobre o que lhes agrada, oferecendo-lhes a chance de pensar, negociar e escolher. Algumas crianças já chegam ao ponto-de-venda determinadas a comprar uma marca específica, um dado sabor e até a quantidade, dependendo do hábito de freqüência: mensal, semanal, diário. É um modelo de gestão que serve para educar o consumo e as finanças.
Realizar um adequado merchandising com atrativos pertinentes às faixas etárias (embalagens com personagens infantis), brindes, stands promocionais, degustação, sorteios, etc., requer um meticuloso planejamento e permanente avaliação. Entender a demanda infantil se sofistica à medida que este público avança em participação no consumo através do raciocínio a respeito de suas expectativas e do que encontram no mercado. É claro que os olhinhos brilham quando se deparam com o universo de delícias oferecido. Contudo, há crianças que rejeitam outros produtos ou serviços quando se sentem frustradas por não encontrarem aqueles de sua preferência.
O estrategista comercial sabe que deve estender à criança um bom atendimento, ao conversar e ouvi-la atenciosamente. Suas informações são sempre bem-vindas. Algumas pesquisas de satisfação podem ser empreendidas de maneira lúdica com ela, procurando descobrir novos interesses e opiniões acerca do que pensa e sente. Portanto, faz-se necessário estudar o universo infantil para desenvolver maior visão e competências a seu respeito.
Consumidor infantil não é brincadeira, e merece atenção e respeito, não somente por sua capacidade de consumo que se desenvolve a passos largos, mas também por ser alguém que busca satisfação com o que adquire. Foco nas crianças é uma regra de ouro na vida comercial de quem produz e oferece serviços a este segmento tão importante.
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Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo e diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas. É professor, e mestre em Liderança pela Unisa Business School. E-mail: selfcursos@uol.com.br
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