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EDIÇÃO 124
DEZEMBRO DE 2008
 

Os desafios da administração Obama

Laine Furtado

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, enfrentará uma série de problemas de política externa e interna assim que assumir a Casa Branca, no dia 20 de janeiro de 2009. Uma conclusão da eleição americana é de que o eleitorado quer uma mudança significativa na área de política externa e interna em relação ao governo de George W. Bush.

As eleições gerais não apenas elegeram o democrata Barack Obama para a Presidência, como ampliaram a maioria democrata no Congresso dos Estados Unidos. Obama assume a Casa Branca fortalecido não apenas pela vitória esmagadora nas urnas, mas pelo controle dos democratas no Senado e na Câmara dos Deputados. Como previsto pelas pesquisas, o partido teve uma vitória relativamente tranqüila sobre o Partido Republicano na votação para a renovação da Câmara dos Deputados e para as 35 cadeiras do Senado.

Os democratas levaram pelo menos cinco novas cadeiras de senadores que antes eram ocupadas por republicanos, aumentando a maioria do partido na casa para 54 contra 40 republicanos. Na Câmara, eles já ultrapassaram a maioria de 235 cadeiras que já ocupavam, enquanto as projeções continuam sendo realizadas. Os analistas são unânimes em apontar o fortalecimento do governo de Obama diante de uma maioria que, até mesmo pelo bem da imagem do partido, deve aprovar facilmente as medidas que o novo presidente lançar. E, juntos, eles precisarão decidir o futuro do país em várias áreas, desde as guerras no Iraque e Afeganistão até controlar a economia, fator de maior preocupação de mais de 300 milhões de americanos.

Obama chega ao cargo tendo que enfrentar duas guerras já em andamento, no Iraque e no Afeganistão. Como ele vai reagir definirá a sua era na Casa Branca. Barack Obama disse que vai pedir que seus comandantes redefinam a missão para "terminar a guerra de forma bem-sucedida". Mas isso precisa ser feito com responsabilidade, segundo o presidente eleito. Ele disse que isso significa dar tempo para que o governo iraquiano fortaleça suas próprias forças armadas. Ele também quer uma retirada, em fase, da maioria das tropas americanas "dentro de 16 meses" a partir da sua posse, o que significa no máximo até maio de 2010.

A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, democrata da Califórnia, afirma que o principal objetivo será estabelecer um prazo para a retirada das tropas dos EUA do Iraque, o que liberaria mais militares americanos para atuar no combate a militantes no Afeganistão e em outros países, onde Obama afirma que estão os responsáveis pelos ataques de 11 de Setembro.

Os democratas querem ainda reverter o que eles vêem como anos de regulação federal inadequada sobre a indústria financeira, o que teria ajudado a causar a atual crise em Wall Street e a execução recorde de hipotecas imobiliárias. Diante da maior crise financeira desde a Grande Depressão, em 1929, os democratas têm como objetivo central estimular a economia. Isso pode ser feito, em parte, gastando bilhões de dólares na contratação de pessoas para reconstruir estradas e pontes antigas dos Estados Unidos, assim como reformar sistemas de esgoto.

Obama afirmou que a crise econômica não impedirá que seu compromisso de melhorar os serviços de saúde, e de revisar a educação e aprovar um corte de impostos à classe média quando assumir o cargo. Obama também quer cortar impostos para a classe média e as empresas, que, segundo ele, são encorajadas a deixar o país levando consigo vários empregos de norte-americanos. Outra prioridade é ampliar o sistema público de saúde, talvez começando com a aprovação de um projeto vetado pelo atual presidente George W. Bush que prevê uma maior participação federal no programa de atendimento a crianças. Levar os Estados Unidos rumo à independência energética, incentivando empresas petrolíferas a perfurar mais onde elas já estão, aumentar a conservação, acelerar o desenvolvimento de fontes de energia alternativas e coibir os especuladores no mercado de petróleo. Obama destacou que "todos esses são assuntos econômicos centrais" que terão que ser tratados como uma unidade dentro de uma estratégia global que permita aos americanos "avançar energicamente através dessas frentes".

Ele pretende criar uma legislação que permita aos trabalhadores se organizarem caso uma maioria deles decida participar de um sindicato. Isso permitiria que eles impedissem as eleições com voto secreto, que alguns críticos dizem ser manipuladas pelos empregadores.
Outra prioridade é aprovar a legislação vetada por Bush que prevê a expansão do investimento federal para pesquisas com células-tronco embrionárias. Após oito anos de nomeações de conservadores de direita, contrários ao aborto, para as cortes federais, Obama gostaria de nomear juízes mais moderados e liberais.

O presidente eleito, Barack Obama, deve revisar e anular algumas ordens executivas do atual presidente, o republicano George W. Bush, em temas polêmicos como o aborto, a pesquisa com células-tronco e a exploração das reservas petrolíferas americanas.

O que pensa Barack Obama

IMIGRAÇÃO
Barack afirma que, primeiro, na área de segurança, é preciso aumentar o controle das fronteiras. Em segundo lugar, será necessário um sistema simples que permita a empregadores verificar o status legal de seus empregados. Em terceiro lugar, trazer à luz os 12 milhões de pessoas que estão nos EUA sem documentos. “Precisamos ser realistas quanto ao fato de que eles estão aqui”, afirmou. Durante sua campanha política, ele prometeu que estaria analisando estas questões durante os primeiros 100 dias de governo.

IRAQUE
Votou contra a guerra no Iraque. Obama disse que é a favor da retirada das tropas do Iraque. Ele também quer uma retirada, em fases, da maioria das tropas americanas "dentro de 16 meses" a partir da sua posse, o que significa no máximo até maio de 2010. Barack é a favor de dar tempo para que o governo iraquiano fortaleça suas próprias forças armadas, mas quer o fim da guerra.

ECONOMIA
O democrata pretende fazer investimentos estratégicos e de longo prazo em infra-estrutura para criar mais empregos qualificados, aumentar o financiamento federal para pesquisa e lutar contra acordos comerciais que prejudiquem a competitividade dos EUA.

CRISE ECONÔMICA
Barack garante que sua prioridade como presidente será restaurar o senso de responsabilidade do mercado imobiliário. Isso será feito em longo prazo. “Em curto prazo, vou manter as pessoas em suas casas, porque tirá-las seria ruim tanto para essas famílias quanto para seus vizinhos, que viriam o valor de suas propriedades diminuir com as casas vazias na vizinhança”. Pretende criar um fundo de US$ 10 bilhões de auxílio para essas famílias. Ele pretende ainda uma moratória de 90 dias para as casas que estão em processo de foreclosure.

BRASIL E AMÉRICA LATINA
Para Barack Obama, o relacionamento entre Estados Unidos e Brasil não pode atrapalhar a produção doméstica de combustíveis renováveis ou o desenvolvimento de novas tecnologias em casa.

AQUECIMENTO GLOBAL
Para o democrata, como o maior produtor de gases do efeito estufa, os EUA devem tomar a responsabilidade de lidar com as mudanças climáticas. “Pretendo implantar um sistema de 'cap-and-trade' (limitação e negociação de emissões) que vai reduzir dramaticamente as emissões. Arrumar a nossa casa será o primeiro passo”. Acredita que uma resposta global que inclua compromissos, especialmente entre aqueles países que poluem mais, como os EUA, China, Índia, União Européia e Rússia será fundamental para o sucesso contra o aquecimento global.

CÉLULAS TRONCO
É defensor convicto do ato que regula o financiamento público de pesquisas com células-tronco. “O presidente George W. Bush errou ao vetar o projeto, e vou garantir que este ato seja finalmente transformado em lei”, garantiu.

ABORTO
É contra qualquer emenda à Constituição que procure revogar a decisão tomada pela Suprema Corte que, em 1973, no famoso caso Roe versus Wade, tornou o aborto legal nos Estados Unidos. 

CASAMENTO GAY
Apóia a união civil entre pessoas do mesmo sexo. É contra a emenda federal que define casamento como a união entre um homem e uma mulher.

SAÚDE
Acredita que a maioria das famílias quer um plano de saúde, mas não pode pagá-lo. Sua ênfase será a de reduzir custos, negociar com as empresas de plano de saúde, “certificando que haja limite em sua capacidade de extrair lucro e limitar cobertura."

 

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