A atual crise financeira americana pode ser considerada a mais grave desde a Segunda Guerra Mundial, afirmou Alan Greenspan, ex-presidente do Banco Central americano (FED). Alan Greenspan, que presidiu o FED de 1987 a 2006, é considerado um guru da economia mundial. Segundo ele, "a atual crise financeira nos Estados Unidos será julgada como a mais grave desde o fim da Segunda Guerra mundial. Ela chegará ao fim quando o preço dos bens imobiliários se estabilizar e, com ele, os preços dos produtos financeiros endossados em empréstimos hipotecários". Segundo ele, este pode ser considerado o primeiro sinal de que as coisas estarão voltando à situação de estabilidade.
Nem os analistas sabem exatamente qual é o tamanho do problema e como as instituições financeiras que tiveram prejuízos bilionários reagirão para buscar novas receitas. Diante desta realidade, alguns fatos devem ser considerados. O custo do crédito nos Estados Unidos aumentou e os padrões de concessão de crédito estão mais rígidos, significando menos perdas, mas, também, menos receitas. Já se percebe uma redução acelerada nos preços dos imóveis e isso afeta diretamente a saúde financeira dos proprietários, e paralelamente, o comportamento do consumidor. A Casa Branca prevê um déficit no orçamento do governo de 482 bilhões de dólares para o ano de 2009. Para este ano, o déficit ficará em 342 bilhões de dólares. A taxa de desemprego está sendo considerada a maior dos últimos anos, em torno de 5.5% e as áreas mais afetadas são a construção civil e o real estate.
Os economistas mais otimistas prevêem para este ano um crescimento da economia americana de apenas 2,0%, devido ao problema do crédito aos consumidores. O que nos sobra de positivo é a desempenho dos países asiáticos que absorverão parte da crise com o crescimento das exportações. Outro fato a ser levado em consideração é que, para aquecer a economia, o FED começou o ciclo de redução dos juros que chegou a 1% ao ano. A medida ajudou a aquecer a economia americana e ainda injetou liquidez no mercado, levando a um acontecimento econômico chamado de “armadilha da liquidez”, onde as taxas de juros estão tão baixas que não vale à pena poupar.
No setor dos imóveis muitos donos de propriedade estão com seu mortgage atrasado, as casas desvalorizadas, e não sabemos o que fazer. Para Gabriel Hennigs, da LG Investors, LLC., e da Easyrate Mortgage, o melhor a fazer em casos de atraso nas prestações da casa é tentar negociar com os bancos. “Muitas vezes o dono do imóvel deixa de pagar as prestações quando tem condições de tentar um loan modification para reduzir o mortgage”, afirma. Gabriel explica que com o pacote econômico do governo, que entra em vigor no dia primeiro de outubro, muitos proprietários vão ter a oportunidade de renegociar seu mortgage através do sistema de FHA. O programa deve beneficiar 20% do total de pessoas que estão em processo de foreclosure, e que estão gastando mais do que 31% do salário para pagar o mortgage, e que a propriedade seja a sua primeira moradia (primary home). “Para isso, o banco vai ter que concordar com o refinanciamento da propriedade uma vez que representa perda para o banco”, explicou.
Diante deste quadro, mais do que nunca, as pessoas precisam saber como lidar com a crise e maximizar o seu dinheiro. Supermercado, luz, gás, telefone, transporte, aluguel, condomínio, cartão de crédito, escola das crianças, plano de saúde, lazer (indispensável à vida), entre outros gastos, precisam ser revisados e ajustados. Planejamento financeiro é a chave para equilibrar a balança comercial da sua empresa e da sua vida pessoal. O consultor financeiro Cláudio Boriola, autor do livro "Paz, Saúde e Crédito", explica que o planejamento é essencial para uma vida financeira saudável. “É uma ótima opção para quem quer organizar suas receitas e despesas. A partir do controle de ganhos e despesas, as pessoas passarão a valorizar o dinheiro", diz Boriola.
Cláudio Boriola acredita que o segredo de uma vida financeira saudável é poupar e abolir toda e qualquer forma de crédito, sobretudo se envolver juros. “As compras a prazo acabam influenciando o aumento nas taxas de juros, isso porque, em uma prestação fixa estão embutidas taxas altíssimas de juros. E nesta economia, os cartões de crédito podem ser a solução dos problemas ou o começo deles. Por isso, todo cuidado é pouco no uso dos cartões.
Alisson Pinheiro, sênior loan officer da The Addison Mortgage Group e uma das proprietárias da Way Credit Solutions, disse que a pessoa não deve ter medo de ligar para a administradora do seu cartão de crédito e perguntar qual o juro (*APR) atual que está pagando e se houve um aumento na taxa. Ela explica que, em muitos cartões de crédito, a variação ocorre por conta de um pagamento atrasado, superação do limite pré-determinado ou uso exagerado do cartão em um espaço de tempo pequeno e em áreas geográficas distintas.
Eliana Cabral, que também é proprietária da Way Credit Solutions, apresenta algumas dicas de como proceder para não pagar mais do que é necessário às empresas de cartão de crédito. “Procure saber da sua situação especifica antes de negociar. Dê à administradora do cartão a oportunidade de reduzir a sua taxa e manter a sua conta”, explicou. O ideal, segundo ela, é procurar o contrato com os cartões e ter o extrato da conta em mãos quando ligar para o atendimento ao cliente. Outra opção, é aplicar para um novo cartão de crédito com juros menores e fazer um balance transfer
A economista Sandra Blanco, do Mulherinvest, autora do livro “Mulher inteligente valoriza o dinheiro”, acredita que as pessoas devem planejar para ter segurança e viver bem com sua rentabilidade. “Elas precisam estar preparadas para eventuais emergências, gastos sazonais e para as grandes conquistas, sonhos e desejos”. Segundo a economista, uma boa alternativa para quem quer ter noção do custo de vida é anotar absolutamente tudo, desde as pendências financeiras essenciais à sua sobrevivência e, até aos supérfluos.
Segundo Alex da Rocha, representante da Northwestern Mutual Financial Network, a melhor forma de maximizar o dinheiro que ganhamos é mapearmos nossas despesas por um período de 12 meses (budget) e determinar o que é necessário sacrificar ou alocar para que as despesas não passem de 80% de toda a entrada salarial. Assim, ao final de cada período, será possível comparar gastos e começar a pensar em uma forma de controlá-los. Para isso, o primeiro passo é separar as despesas por itens, como moradia (tudo o que você gasta na sua casa: aluguel ou prestações, luz, gás, telefone, condomínio, manutenção), alimentação, saúde, transporte, vestuário e lazer, entre outras categorias, dependendo do seu estilo de vida.
Um fator que vai contra qualquer forma de planejamento financeiro é o impulso. De nada adianta conter os gastos diários com elementos desnecessários se você compensar tudo na primeira loja em que entrar. Se o dinheiro permitir, separe uma quantia para comprar roupas, hobbies e demais futilidades, sem extravagâncias e preocupando-se em guardar algum como garantia. Quando se fala em orçamento doméstico, controle, planejamento e poupança representam a alma do negócio.
Em tempos de crise,muitas pessoas deixam de pensar no futuro porque os gastos imediatos são muito grandes. Alex da Rocha explica que, quando os recursos são poucos, fica difícil investir e economizar para o futuro, mas é necessário economizar de 10 a 20% do salário anual. Alex explica que existem diferenças na forma de pensar, do americano e do brasileiro, quando o assunto é planejamento financeiro. Muitos dos brasileiros, por virem de uma economia instável como a do Brasil, não conseguem pensar em planejar para o futuro, e deixam de investir numa aposentadoria, num seguro de vida, o que não acontece tão freqüentemente com os americanos. Ele assegura que, mesmo em tempos de crise, precisamos pensar no futuro.
Dicas para maximizar o seu dinheiro
Disciplina é a chave para o sucesso. O que é pior: ganhar 3 mil dólares por mês e gastar 5 mil dólares? Não interessa o quanto se ganha, mas o quanto se gasta, economiza e investe. Assim, é preciso (e importante) dimensionar seus gastos de maneira a fazê-los caber tranquilamente em seu orçamento.
- Tenha uma planilha para controlar os gastos. Monte o orçamento, mas faça atualizações constantes, lembrando sempre que existem gastos sazonais em alguns meses, ou épocas, do ano. Por exemplo, existem os impostos e taxas do carro, o IPTU, os gastos das compras de fim de ano. Lembre-se da Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças, escola dos filhos, etc. Anote e controle tudo!
- O uso de cupons está de volta. Os jornais de domingo oferecem centenas de cupons. Vale à pena separar os cupons e usá-los nos supermercados, na hora das compras. Outra coisa, faça uma lista do que você precisa antes de ir ao super e não se deixe seduzir por ofertas de produtos que você não precisa.
- Os preços da gasolina estão altos, por isso, procure o posto mais em conta, que seja perto do seu trabalho ou da sua casa. Sempre encha o tanque. Não se esqueça de trocar o filtro. Andar dentro do limite de velocidade também ajuda.
- Cozinhar em casa fica mais barato. Para as pessoas que comem fora, uma dica é tentar negociar com os donos de restaurantes um pagamento mensal para o lanche. Ao pagar o lanche mensal, você pode economizar até 20% do custo em restaurantes, sem contar que estará fortalecendo o comércio local.
- Poupar, em tempos de crise, significa sacrificar algum consumo imediato e tentar investir, mesmo que pouco. Veja com um consultor financeiro ou o seu banco qual a melhor forma de investir o seu dinheiro. A consulta geralmente é gratuita e, na pior das hipóteses, você receberá dicas úteis de como investir.
- Diariamente, antes de chegar ao trabalho, as pessoas gostam de tomar um café no Starbucks ou no Dunkin Donuts, o que pode representar um custo extra que varia de 1 a 3 dólares por dia. No final do mês, estes gastos fazem diferença!
- Se o seu aluguel está caro, tente renegociar com o dono da propriedade ou com o gerente do condomínio. Hoje existem muitas ofertas de aluguel que podem representar uma economia significativa na sua planilha mensal de gastos. Muitas vezes, mudar para uma casa ou apartamento menor é a melhor opção.
- Para as pessoas que não têm casa própria, hoje, mais do que nunca, os preços dos imóveis estão baixos. Com o novo plano do governo que entra em vigor no dia primeiro de outubro, com incentivos do FHA, as pessoas que se qualificarem vão receber vários incentivos do governo para a compra da casa própria. Entre em contato um corretor de imóveis ou mortgage broker da sua confiança para saber detalhes do plano do governo.
- Utilize os aparelhos eletroeletrônicos somente quando houver necessidade. Tem pessoas que deixam o televisor ligado durante todo o dia. Outra questão importante é desligar da tomada esses aparelhos (exceto geladeira), pois o modo de espera (stand by, aquele que deixa uma luzinha vermelha acesa nos aparelhos) consome energia, e de quebra, ainda diminui a durabilidade dos aparelhos. Economize água e energia elétrica na hora do banho. Muitas pessoas gastam de meia até uma hora para tomar banho.
- Coloque o ar condicionado em 78 degrees e o termostato em auto. Quando não estiver em casa, deixe o ar em 82 degrees. Deixar as lâmpadas da casa acesas somente quando necessário. Muitas pessoas deixam cômodos, que são iluminados por natureza, com lâmpadas ligadas, desperdiçando energia. Outra opção é trocar a lâmpada pelas mais econômicas, o que representa uma economia de 50% no consumo.
- Nada de deixar os ventiladores ligados. Segundo um estudo da FPL, cada ventilador ligado representa 7 dólares extra de consumo de energia por mês. Interessante lembrar que a FPL tem um programa chamado Budget Billing onde o consumidor entra em contato com a empresa, solicitando um valor fixo da sua conta de energia, que representa o somatório da sua conta de energia do ano dividido por 12.Desta forma, fica mais fácil ter um orçamento mensal. Veja informações na web: www.FPL.com/resbb.
- Na hora do lazer, procure escolher programas que tenham custos pequenos ou que sejam de graça. Uma boa pedida são os parques, reunião em casa com os amigos (cada um leva um petisco para não pesar para o dono da casa), reduzir a ida ao cinema ou optar por cinemas que passam filmes mais em conta, visitar pontos atrativos da cidade ou ir à praia.
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