Há uma chance muito, muito pequena de que você encontre na rua uma pessoa que ficaria feliz em comprar uma tonelada de lagosta fresca com desconto. Entretanto, se você enviar um e-mail com a oferta do crustáceo para uma lista com 100 mil destinatários, a possibilidade de contatar indivíduos interessados no que você quer vender aumenta consideravelmente.
Eis o princípio básico do spam: o envio de milhares de mensagens comerciais não solicitadas a bilhões de pessoas, oferecendo de produtos capilares milagrosos a eletrônicos de última geração, tudo sempre a preços de barganha.
O Brasil, de acordo com estudo da empresa de segurança eletrônica McAfee, é o segundo país que mais envia spam no mundo (ainda com o agravante de que não há uma regulamentação específica para spam no país), perdendo apenas para os Estados Unidos — o experimento também avaliou e-mails da Itália, México e Reino Unido, entre outras nações.
Com o spam em alta no planeta, cresce o interesse dos usuários de internet em se verem livres das mensagens indesejadas. Para isso, existem diversas ferramentas que podem auxiliar o internauta a driblar o spam que recebe diariamente.
Gerenciadores de e-mail (e mesmo webmails, por exemplo) já contam com filtros integrados para barrar mensagens não solicitadas. Além deles, há procedimentos simples que podem minimizar o problema — como evitar inscrever e-mails particulares em listas públicas.
Veja abaixo algumas dicas pesquisadas para manter sua caixa de e-mails a salvo das mensagens não solicitadas:
- Evite divulgar o endereço eletrônico em locais públicos, como listas de discussão ou em cadastros on-line
"Manter o e-mail em sigilo é vital para evitar o spam", conta Patrícia Amirábile, diretora da McAfee. "A discrição é tão essencial que, em nosso estudo, pedimos que os voluntários se inscrevessem em diversas listas na web. Em menos de 24 horas, eles já recebiam spam."
- Crie uma conta de e-mail secundária para ingresso em listas de discussão
Para evitar divulgar o e-mail pessoal, uma alternativa é criar uma conta de e-mail somente para locais públicos. "Esse e-mail secundário funcionária como uma espécie de central de spams e outros e-mails. É uma saída simples e que muitas pessoas usam", aponta Patrícia.
- Utilize sites que criam contas temporárias de e-mail
O Maillinator, por exemplo, oferece o serviço. Muitas vezes, para baixar um programa ou entrar em uma área reservada de uma página eletrônica, o sistema pede que o usuário insira seu e-mail, para o qual será enviada uma chave de ativação.
Ao cadastrar um e-mail "@mailinator.com", a chave é enviada para a página do Maillinator. Depois, basta ao usuário entrar no site e pegar a chave.
- Nunca responda à mensagem recebida
Muitos spams trazem, no rodapé da mensagem, um texto que cita opção de descadastramento. "Há quem pense que ao responder a mensagem pedindo para não ser mais incomodado, resolverá o problema. Ledo engano", diz a executiva da McAfee. "Quando um spam é respondido, aí sim o spammer tem certeza de que aquela conta está ativa e que há alguém do outro lado recebendo as mensagens. E é aí que o usuário nunca mais terá sossego ao acessar aquela conta de e-mail."
- Ative filtros em seu serviço de e-mail ou faça o download de softwares
O filtro antispam funciona como uma espécie de "cadeado" que protege o seu endereço eletrônico da incidência dos spams. Para usuários de webmail, acioná-los é uma tarefa simples e os procedimentos são realizados automaticamente.
44 MIL SPAMS POR DIA
O nome do britânico Collin Wells pode não ser conhecido. Mas o seu e-mail é. Profissional ligado ao ramo de transporte, Wells é o maior alvo de spam do Reino Unido - se não usasse um filtro de e-mails pago, receberia na caixa de entrada do gerenciador de e-mails 44 mil spams por dia.
De acordo com a empresa que provê o filtro a Wells, se todos os e-mails barrados chegassem ao destino, ele gastaria quase 2 horas por dia apenas para deletá-los sem ler. Em um ano, o britânico receberia 16 milhões de mensagens comerciais não solicitadas.
Filtro é arma contra spam
Conheça opções gratuitas para Windows, Linux e Mac
Depois que spammers descobrem um e-mail, dificilmente desistirão dele. Mesmo porque se o endereço está em uma lista, nada garante que essa relação não seja vendida — aliás, ela provavelmente será concedida para outros spammers, o que somente aumentará a gravidade da situação.
Para aqueles que não querem trocar o endereço eletrônico descoberto, é possível tentar reverter a situação. Esse "cadeado" é conhecido por "filtro antispam". Para usuários de webmail, acioná-los é uma tarefa simples e os procedimentos são realizados automaticamente.
Usuários que preferem descarregar as mensagens em gerenciadores de e-mail, como Outlook Express e Mozilla Thunderbird, também têm assistentes de filtros, que permitem bloquear as mensagens não solicitadas ainda no servidor.
Basta escolher palavras-chave e locais onde elas devem estar (como corpo do e-mail ou assunto do e-mail) para que o usuário não receba os spams.
O problema desses filtros é que se o usuário for rigoroso demais, pode barrar mensagens idôneas, que o sistema entenderá como spam. Por outro lado, se o sistema for configurado de forma mais liberal, alguns spams podem passar.
Opções gratuitas
Para auxiliar o usuário a barrar spams, há na web diversas opções gratuitas de filtros que prometem trabalhar com os mais populares e-mails.
Esses softwares são complementares e, de forma geral, realizam um bom trabalho — sendo compatíveis com POP, IMAP e outros protocolos. Além de barrar spams, alguns softwares ainda listam e classificam e-mails comerciais não desejados.
Entre as opções mais populares para o Windows estão Agnitum Spam Terrier, Spam Assassin, SPAMfighter e Spamdel.
Usuários Linux, por sua vez, podem optar pelos sistemas Quick Spam Filter e Spamhole — este último é mais do que um filtro, já que se trata de um software que cria um servidor SMTP falso que pode ser utilizado para combater spams.
Para quem usa o Mac OS X, a opção é o JunkMatcher, que trabalha em conjunto com filtro de spam do Mail.
Spam? Hoax? Vírus? São todas pragas diferentes entre si. Entenda-as!
Embora comumente colocados no mesmo invólucro, spam, hoax e vírus são itens diferentes que, em comum, só têm a capacidade de irritar o usuário de internet.
Spams são mensagens comerciais não solicitadas. Qualquer empresa que envie um informativo à caixa de um internauta sem que este tenha sido pedido está enviando um spam.
É importante mencionar o termo "comercial" para definir spam porque muitas mensagens que os usuários recebem diariamente não são solicitadas — como os melosos arquivos PowerPoint daquela sua tia ou as divertidas animações daquela colega da firma.
Apesar de inconvenientes, esses dois últimos casos não são spams (mas a boa notícia é que é possível criar filtros para esses e-mails também).
Os hoax, por sua vez, nada mais são do que boatos que se propagam via Internet. Uma mensagem que informe que caso o destinatário passe o e-mail para 666 pessoas receberá uma grana preta de algum milionário excêntrico é forte candidata a hoax.
Assim como e-mails que falam sobre gatos criados como bonsai ou textos que informam que bandidos estão cada vez mais ousados e usando batom com chumbo para capturar vítimas inconscientes.
Quanto a vírus, phishings e outras variações, tratam-se de procedimentos realizados por criminosos com o fim de danificar a máquina do destinatário ou de roubar dados sigilosos do computador, como senhas de bancos e números de cartões de crédito.
Os spams tentam, sim, roubar o dinheiro o usuário, mas de forma diferente: pedindo, atormentando e oferecendo ostensivamente um produto.
SPAM: A ORIGEM DO TERMO
Além de mensagem eletrônica não solicitada, "spam" é também marca de uma carne enlatada norte-americana.
Contudo, o uso da palavra para designar e-mails não solicitados é oriundo de um quadro do grupo humorista britânico Monty Python. Nele, bárbaros gritam "spam, spam, spam" em um restaurante.
Na época em que a internet comercial ainda engatinhava, usuários da rede compararam a gritaria dos bárbaros (desproposital, fora de hora e com um assunto de gosto duvidoso; a carne Spam não é das maiores iguarias do mundo) às mensagens comerciais que começavam a aparecer na Web.
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