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EDIÇÃO 120
AGOSTO DE 2008
 

O que é spam e o que fazer para livrar sua caixa de e-mails desta praga moderna

Por Giovana Marques

Há uma chance muito, muito pequena de que você encontre na rua uma pessoa que ficaria feliz em comprar uma tonelada de lagosta fresca com desconto. Entretanto, se você enviar um e-mail com a oferta do crustáceo para uma lista com 100 mil destinatários, a possibilidade de contatar indivíduos interessados no que você quer vender aumenta consideravelmente.

Eis o princípio básico do spam: o envio de milhares de mensagens comerciais não solicitadas a bilhões de pessoas, oferecendo de produtos capilares milagrosos a eletrônicos de última geração, tudo sempre a preços de barganha.

O Brasil, de acordo com estudo da empresa de segurança eletrônica McAfee, é o segundo país que mais envia spam no mundo (ainda com o agravante de que não há uma regulamentação específica para spam no país), perdendo apenas para os Estados Unidos — o experimento também avaliou e-mails da Itália, México e Reino Unido, entre outras nações.

Com o spam em alta no planeta, cresce o interesse dos usuários de internet em se verem livres das mensagens indesejadas. Para isso, existem diversas ferramentas que podem auxiliar o internauta a driblar o spam que recebe diariamente.

Gerenciadores de e-mail (e mesmo webmails, por exemplo) já contam com filtros integrados para barrar mensagens não solicitadas. Além deles, há procedimentos simples que podem minimizar o problema — como evitar inscrever e-mails particulares em listas públicas.

Veja abaixo algumas dicas pesquisadas para manter sua caixa de e-mails a salvo das mensagens não solicitadas:

- Evite divulgar o endereço eletrônico em locais públicos, como listas de discussão ou em cadastros on-line

"Manter o e-mail em sigilo é vital para evitar o spam", conta Patrícia Amirábile, diretora da McAfee. "A discrição é tão essencial que, em nosso estudo, pedimos que os voluntários se inscrevessem em diversas listas na web. Em menos de 24 horas, eles já recebiam spam."

- Crie uma conta de e-mail secundária para ingresso em listas de discussão


Para evitar divulgar o e-mail pessoal, uma alternativa é criar uma conta de e-mail somente para locais públicos. "Esse e-mail secundário funcionária como uma espécie de central de spams e outros e-mails. É uma saída simples e que muitas pessoas usam", aponta Patrícia.

- Utilize sites que criam contas temporárias de e-mail

O Maillinator, por exemplo, oferece o serviço. Muitas vezes, para baixar um programa ou entrar em uma área reservada de uma página eletrônica, o sistema pede que o usuário insira seu e-mail, para o qual será enviada uma chave de ativação.

Ao cadastrar um e-mail "@mailinator.com", a chave é enviada para a página do Maillinator. Depois, basta ao usuário entrar no site e pegar a chave.

- Nunca responda à mensagem recebida

Muitos spams trazem, no rodapé da mensagem, um texto que cita opção de descadastramento. "Há quem pense que ao responder a mensagem pedindo para não ser mais incomodado, resolverá o problema. Ledo engano", diz a executiva da McAfee. "Quando um spam é respondido, aí sim o spammer tem certeza de que aquela conta está ativa e que há alguém do outro lado recebendo as mensagens. E é aí que o usuário nunca mais terá sossego ao acessar aquela conta de e-mail."

- Ative filtros em seu serviço de e-mail ou faça o download de softwares

O filtro antispam funciona como uma espécie de "cadeado" que protege o seu endereço eletrônico da incidência dos spams. Para usuários de webmail, acioná-los é uma tarefa simples e os procedimentos são realizados automaticamente.

44 MIL SPAMS POR DIA

O nome do britânico Collin Wells pode não ser conhecido. Mas o seu e-mail é. Profissional ligado ao ramo de transporte, Wells é o maior alvo de spam do Reino Unido - se não usasse um filtro de e-mails pago, receberia na caixa de entrada do gerenciador de e-mails 44 mil spams por dia.
De acordo com a empresa que provê o filtro a Wells, se todos os e-mails barrados chegassem ao destino, ele gastaria quase 2 horas por dia apenas para deletá-los sem ler. Em um ano, o britânico receberia 16 milhões de mensagens comerciais não solicitadas.

Filtro é arma contra spam

Conheça opções gratuitas para Windows, Linux e Mac


Depois que spammers descobrem um e-mail, dificilmente desistirão dele. Mesmo porque se o endereço está em uma lista, nada garante que essa relação não seja vendida — aliás, ela provavelmente será concedida para outros spammers, o que somente aumentará a gravidade da situação.

Para aqueles que não querem trocar o endereço eletrônico descoberto, é possível tentar reverter a situação. Esse "cadeado" é conhecido por "filtro antispam". Para usuários de webmail, acioná-los é uma tarefa simples e os procedimentos são realizados automaticamente.

Usuários que preferem descarregar as mensagens em gerenciadores de e-mail, como Outlook Express e Mozilla Thunderbird, também têm assistentes de filtros, que permitem bloquear as mensagens não solicitadas ainda no servidor.

Basta escolher palavras-chave e locais onde elas devem estar (como corpo do e-mail ou assunto do e-mail) para que o usuário não receba os spams.

O problema desses filtros é que se o usuário for rigoroso demais, pode barrar mensagens idôneas, que o sistema entenderá como spam. Por outro lado, se o sistema for configurado de forma mais liberal, alguns spams podem passar.

Opções gratuitas

Para auxiliar o usuário a barrar spams, há na web diversas opções gratuitas de filtros que prometem trabalhar com os mais populares e-mails.

Esses softwares são complementares e, de forma geral, realizam um bom trabalho — sendo compatíveis com POP, IMAP e outros protocolos. Além de barrar spams, alguns softwares ainda listam e classificam e-mails comerciais não desejados.

Entre as opções mais populares para o Windows estão Agnitum Spam Terrier, Spam Assassin, SPAMfighter e Spamdel.

Usuários Linux, por sua vez, podem optar pelos sistemas Quick Spam Filter e Spamhole — este último é mais do que um filtro, já que se trata de um software que cria um servidor SMTP falso que pode ser utilizado para combater spams.

Para quem usa o Mac OS X, a opção é o JunkMatcher, que trabalha em conjunto com filtro de spam do Mail.

Spam? Hoax? Vírus? São todas pragas diferentes entre si. Entenda-as!

Embora comumente colocados no mesmo invólucro, spam, hoax e vírus são itens diferentes que, em comum, só têm a capacidade de irritar o usuário de internet.

Spams são mensagens comerciais não solicitadas. Qualquer empresa que envie um informativo à caixa de um internauta sem que este tenha sido pedido está enviando um spam.

É importante mencionar o termo "comercial" para definir spam porque muitas mensagens que os usuários recebem diariamente não são solicitadas — como os melosos arquivos PowerPoint daquela sua tia ou as divertidas animações daquela colega da firma.

Apesar de inconvenientes, esses dois últimos casos não são spams (mas a boa notícia é que é possível criar filtros para esses e-mails também).

Os hoax, por sua vez, nada mais são do que boatos que se propagam via Internet. Uma mensagem que informe que caso o destinatário passe o e-mail para 666 pessoas receberá uma grana preta de algum milionário excêntrico é forte candidata a hoax.

Assim como e-mails que falam sobre gatos criados como bonsai ou textos que informam que bandidos estão cada vez mais ousados e usando batom com chumbo para capturar vítimas inconscientes.

Quanto a vírus, phishings e outras variações, tratam-se de procedimentos realizados por criminosos com o fim de danificar a máquina do destinatário ou de roubar dados sigilosos do computador, como senhas de bancos e números de cartões de crédito.

Os spams tentam, sim, roubar o dinheiro o usuário, mas de forma diferente: pedindo, atormentando e oferecendo ostensivamente um produto.

SPAM: A ORIGEM DO TERMO

Além de mensagem eletrônica não solicitada, "spam" é também marca de uma carne enlatada norte-americana.
Contudo, o uso da palavra para designar e-mails não solicitados é oriundo de um quadro do grupo humorista britânico Monty Python. Nele, bárbaros gritam "spam, spam, spam" em um restaurante.
Na época em que a internet comercial ainda engatinhava, usuários da rede compararam a gritaria dos bárbaros (desproposital, fora de hora e com um assunto de gosto duvidoso; a carne Spam não é das maiores iguarias do mundo) às mensagens comerciais que começavam a aparecer na Web.

 

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