O National Geographic e IBM estão realizando uma pesquisa chamada The Genographic Project (O Projeto Genográfico), que tem como objetivo descobrir a origem do homem através de uma vasta pesquisa do DNA de pessoas, mais especificamente da comunidade indígena, em diferentes partes do mundo, incluindo representantes dos cinco continentes. O estudo já está sendo desenvolvido há mais de um ano e deve durar cinco anos para que um resultado satisfatório possa ser encontrado. Segundo o diretor do projeto, Dr. Spencer Wells, quando os primeiros humanos foram encontrados na África, em torno de 60 mil anos atrás, deixaram marcas que até hoje podem ser encontradas.
Conforme Dr. Wells, ao se fazer um mapeamento da aparência e da freqüência da marca genética do homem moderno, podemos voltar no tempo e encontrar identidades genéticas que levam a crer que houve uma migração genética da África que se espalhou por todos os continentes, o que revela que todos viemos de uma mesma origem. O objetivo da pesquisa é de analisar específicas marcas da descendência do homem na busca de resposta sobre a história migratória da raça humana, a origem das diferentes raças e, talvez, do próprio homem. O estudo tem como meta provar que todos os homens vieram de uma mesma descendência, que tem sua raiz na África.
É interessante perceber que a bíblia revela que Adão e Eva, os primeiros habitantes da terra, viveram na região da Mesopotâmia, perto da África e, segundo a Bíblia, todos somos descendentes de Adão e Eva. Coincidência ou não, existe até uma linhagem na pesquisa de Spencer Wells que vem da descendência de Adão, um homem que viveu há 60 mil anos atrás e que, segundo o pesquisador, não é o mesmo Adão da Bíblia, porque teve ancestrais, e logicamente, o número de anos não corrobora com a história bíblica de Adão e Eva. Na verdade, o Genographic Project apresenta vários estágios da peregrinação humana conforme a história genética e o decorrer da história para a comprovação da linha genética humana, abordando períodos históricos como Corredor de Gelo do Alasca, Cultura Arcaica, Cro-Magnon, Neandertal, Paleolítico Superior, entre outros.
E como funciona o projeto? Numa linguagem acessível ao público, pode-se dizer que o corpo humano é formado de 50 a 100 trilhões de células que formam as unidades básicas da vida e se combinam para formar órgãos e tecidos. Em cada célula, os genes são colocados numa espécie de “blueprint” para a produção de proteína, que determina como as células funcionam. Os genes também determinam as características físicas das pessoas. De acordo com a pesquisa de Spencer Wells, os genes estão divididos em grupos chamados “haplowgroups”, nomeados com letras do alfabeto e correlacionados com os períodos da história e da migração humana das regiões da África para outros continentes. O Genographic Project está usando análises sofisticadas do DNA de milhares de pessoas, incluindo a população indígena e o público em geral, para revelar a história migratória, e melhor entender as conexões e diferenças que dão origem à raça humana. O Genographic Project apresenta três etapas distintas: pesquisa de campo (field research), participação do público e campanha de entendimento (public participation and awareness campaign) e projeto de herança genética (genographic legacy project).
Dez centros de pesquisas estão distribuídos em áreas estratégicas nos cinco continentes, para a coleta de mostras de DNA de comunidades indígenas locais. Eles estão localizados na Austrália (Austrália/Pacífico), Brasil (América do Sul), China (Ásia), França (Europa), Índia e Líbano (Oriente Médio e Norte da África), Rússia (Norte da Eurásia), África do Sul (África), Reino Unido (Europa Central) e Estados Unidos (América do Norte). O projeto conta com a aprovação do Social and Behavioral Sciences Institutional Review Board (IRB) da University of Pennsylvania Office Regulatory Affairs, desde abril de 2005. O IRB funciona cumprindo as limitações das leis, dos regulamentos e posições éticas que envolvem qualquer tipo de pesquisa com a participação de pessoas, obrigando os pesquisadores a trabalharem conforme as normas estipuladas pelo IRB.
Na pesquisa de campo (field research), a base principal é a coleta de sangue das populações indígenas, onde o DNA contém chaves para a descoberta de marcas genéticas que permaneceram relativamente inalteradas por centenas de gerações, fazendo com que elas sejam exemplos mais “puros” em termos de miscigenação, para a indicação da história do homem conforme a migração genética. Atualmente já foram coletadas mais de 10 mil mostras de DNA de indígenas em todo o mundo. Que ainda representa uma coleta pequena para a certificação dos resultados. O Genographic Project tem como meta coletar 100.000 mostras de DNA de indígenas, em 5 anos, fazendo com que esta pesquisa seja a maior de todos os tempos dentro da área de estudos genéticos antropológicos. Dr. Wells espera que com o resultado da pesquisa, possa traçar o mapa migratório da história da humanidade dos últimos 150.000 anos.
Outro setor da pesquisa junto ao público em geral (public participation and awareness campaign), está diretamente ligado com o projeto de herança genográfica (Genographic Legacy Projetc), que vai centralizar os esforços na análise do DNA do público em geral. O projeto funciona da seguinte forma: as pessoas podem comprar um kit, que está disponível via internet, pelo preço de $107.50 dólares (www.nationalgeographic.com), onde “submitem cheek swab samples”, o que permite que os estudiosos façam uma linha do tempo para encontrar a origem migratória da pessoa, desde o seu primeiro ancestral até os dias de hoje.
Os resultados das pesquisas com o público em geral serão armazenados, de forma anônima, para proteger a identidade dos participantes. Aqueles que quiserem receber seu mapa migratório terão a oportunidade, segundo os pesquisadores, de descobrir sua origem genética. Os recursos angariados com a venda dos kits estarão sendo utilizados no Genographic Legacy Project, que tem como objetivo trabalhar no sentido de preservação da cultura indígena através de projetos culturais educativos patrocinados pelo Genographic Legacy Project.
É interessante lembrar que esta não é a primeira vez que pesquisas desse nível são realizadas. Há 14 anos, o HGDP (Human Genome Diversity Project), Projeto da Diversidade do Genoma Humano, foi desenvolvido com o objetivo de descobrir a origem do homem. Segundo Dr. Wells, na época, estudos de DNA e genética antropológica estavam em seu estágio inicial, o que dificultou o resultado da pesquisa para o HGDP. Ele falou ainda que o propósito do Genographic Project é diferente do então HGDP. “Nós estamos estudando a jornada da humanidade, de sua origem, através do DNA. Queremos saber como chegamos à terra, aonde chegamos e onde estamos vivendo hoje”.
Segundo Spencer, mesmo que os pesquisadores não alcancem o objetivo desejado, o projeto terá um arquivo invejável, com um banco de dados (database) de variações genéticas associadas à cultura e à língua, que representa um avanço em termos de pesquisa com DNA. “Estamos conscientes da grandiosidade do projeto e cremos que teremos um resultado positivo com a pesquisa, que até o momento, tem confirmado nossa posição de que todos nós viemos de uma mesma descendência que se subdividiu em várias ramificações conforme o avanço e a migração da raça humana”, afirmou. |